A Maravilhosa Mary Futy. Primeira e Única


A Maravilhosa Mary Futy. Primeira e Única

A primeira e única cronista social do futebol, focada sempre na vida dos grandes astros de dentro do campo. Simpática e inteligente nos deixou esta semana.

Bonita, simpática e inteligente e, como se não bastasse, conhecia futebol de fazer inveja a muito marmanjo babão que atua na área. Categorias: Colunas Por: Edgard Soares, 28/07/2022 Fernanda Factory, a Mary Futy. Foto: Facebook Por EDGARD SOARES    São Paulo, SP, 28 (AFI) – Ela era incrível, uma Pequena Notável. Bonita, simpática e inteligente e, como se não bastasse, conhecia futebol de fazer inveja a muito marmanjo babão que atua na área.Alegre, sempre sorrindo, boa de texto e com muitas fontes quentes, que lhe garantiam notícias exclusivas.Repórter nata, não cansava de lembrar que Regianni Ritter, a primeira repórter a cobrir futebol, inclusive dentro dos vestiários depois dos jogos, tinha sido sua inspiração.Filha de um ex-jogador do Palmeiras, o lateral Mexicano, na segunda metade da década de 50, ela adorava futebol.De repente, ela teve uma inspiração e criou uma personagem, que acabaria se confundindo com ela própria:a Mary Futy, a primeira e única cronista social do futebol, focada sempre na vida dos grandes astros de dentro do campo.ELEGÂNCIA E TALENTOTinha sempre novidades sobre a carreira e a vida comum dos jogadores, mas o fazia com elegância e talento. Escrevia também sobre técnicos e dirigentes, sem jamais adentrar a intimidade dos mesmos, criando um código de ética próprio e se impunha limite respeitoso à privacidade a que todos têm.Jamais recebeu reclamação de pessoas citadas em suas colunas, embora ela também fizesse criticas sobre a forma de se vestir, corte de cabelo ou da preferência musical de algum atleta. E, não raro, picante.Criou e propôs ao jornal Diário Lance, então em seus bons tempos de jornal diário, uma Coluna chamada Mary Futy. Foi um grande sucesso.Jamais publicava uma nota exclusiva que alguma fonte lhe passava, sem antes consultar o atleta ou treinador ou dirigente que seria alvo da mesma, sem o consultar. E se o citado pedisse-lhe para não publicar, pois a notícia invadia sua vida privada, ela o atendia.Esse comportamento e postura, ao invés de diminuir os seus “furos”, na verdade, o multiplicavam.Quando alguém famoso no meio do futebol lhe telefonava e pedia para publicar uma nota, ela colocava como condição para fazê-lo duas condições: a) que o critério para definir se a notícia tinha interesse público era exclusivamente dela.b) que a informação fosse exclusiva.Não publicava press-releases.Este código de conduta tornava sua Coluna a mais lida da publicação e lhe conferia um status de credibilidade.Por isso, ela era querida.TRABALHO INOVADORArthur Eugênio – diretor do Futebol Interior – e eu éramos fãs dela e a levamos para a televisão. Mary Futy participou como comentarista do Estação Futebol, o programa que inaugurou o Dia e o Horário (2a. feira às 22 horas) de programas esportivos na TV. Antes todas as chamadas ‘Mesas Redondas’ eram no domingo à noite.“Bem, amigos”, foi lançado uma ano depois e no início, com um erro de português pois o logo do programa “Bem Amigos” aparecia sem a vírgula depois do pronome “Bem”. Lá, pontificavam nomes como Juarez Soares, Orlando Duarte, Dalmo Pessoa, Tatá Muniz e toda semana um grande nome do rádio esportivo. Foram inúmeros que por lá passaram.Na apresentação, a linda Patrícia de Sabrit. Tudo aconteceu na Rede Vida de Televisão, à época a única emissora de TV com repetidoras nos 26 estados brasileiros e no Distrito Federal.Muito antes de se falar em Plataformas Digitais, o Estação Futebol era transmitido simultaneamente pela espetacular rede de emissoras retransmissoras da Rede Vida, uma Rede Católica espelhada por todo o Brasil.O programa possuía uma maciça audiência no interior do estado de São Paulo, pois era transmitido também depois de alguns meses de sua criação simultaneamente pelo Portal Futebol Interior, com seus 2 milhões de visitantes únicos e mais de 14 milhões de views.Mary Futy era uma atração à parte. E fez parte deste sucesso.Fernanda Factory, era esse seu nome de batismo, nos deixou esta semana. Aos 48 anos.Nunca haverá outra como ela.  

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